Foi esta a primeira pergunta que eu e os meus designers nos fizemos quando nos reunimos para desenvolver uma identidade visual e este site – e, surpreendentemente, acabamos descobrindo que essas atividades têm de fato muito em comum.

Se pudermos resumir em apenas uma palavra, esta é comunicação: se a tradução é necessária para que falantes de idiomas diferentes se entendam, a mediação procura essencialmente reestabelecer entre as partes a comunicação que em algum momento foi perdida. Muitos conflitos surgem da falta de comunicação, de ruídos na interpretação das atitudes e sinais transmitidos, e, quando essas barreiras são transpostas, muitas vezes o consenso torna-se possível. Um dos resultados mais satisfatórios da mediação é quando as partes voltam a se falar, a se ouvir e a se compreender, ainda que não cheguem a um acordo final.

Na comunicação estão implícitas ideias de movimento, fluidez, conexão, troca, representações e símbolos, expressão verbal e não verbal, intercâmbio de informações. Tudo isso ocorre ao se traduzir um documento, ao se atuar como intérprete e ao se mediar um conflito. Frequentemente mediadores dizem que traduziram para um dos mediandos o que o outro procurava transmitir – fazem isso parafraseando, substituindo palavras por outras equivalentes e, sobretudo, estimulando-os a se comunicarem e a se compreenderem.

Mediadores e tradutores são, assim, elos de ligação entre dois ou mais indivíduos, cuja motivação é ajudá-los a se compreenderem e cuja ferramenta principal é a comunicação.