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Mediação como meio de acesso à justiça

“Em face do enorme congestionamento do Judiciário brasileiro, refletido no relatório anual Justiça em Números, do CNJ, a mediação, cuja lei reguladora completa um ano, se apresenta como uma opção concreta de garantia de acesso à Justiça.” Meu artigo publicado com destaque em dezembro no Jus Navigandi.

By |21st/fevereiro/2017|Mediação|0 Comments

Minha experiência no coworking

Hoje eu reproduzo um texto que publiquei no blog Pronoia Tradutória a respeito da minha experiência trabalhando em espaços de coworking, a versão mais moderna do escritório compartilhado e ótima opção para profissionais “solo” em busca de contatos e convívio com os mais diferentes tipos de pessoas.

By |21st/julho/2016|Mediação, Tradução|0 Comments

Mediação de conflitos e a “dupla existência da verdade”

“Encontrei hoje em ruas, separadamente, dois amigos meus que se haviam zangado um com o outro. Cada um me contou a narrativa de por que se haviam zangado. Cada um me disse a verdade. Cada um me contou as suas razões. Ambos tinham razão. Ambos tinham toda a razão. Não era que um via uma coisa e o outro outra, ou que um via um lado das coisas e outro um lado diferente. Não: cada um via as coisas exactamente como se haviam passado, cada um as via com um critério idêntico ao do outro, mas cada um via uma coisa diferente, e cada um, portanto, tinha razão. Fiquei confuso desta dupla existência da verdade.” (Fernando Pessoa, Livro do Desassossego).

Recentemente ouvi esse trecho de duas mediadoras diferentes, em ocasiões distintas. Ele descreve de forma magistral um dos principais elementos geradores do conflito: o fato de que, para cada um dos envolvidos em determinada situação, a verdade é uma. Como diz Pessoa, não se trata sequer de duas versões ou de dois ângulos diferentes, mas sim de duas verdades mesmo.

Foi isso o que primeiro me despertou para a mediação: eu já não advogava havia alguns anos e refletia sobre as minhas qualidades – e deficiências – como advogada, sobre meus talentos e habilidades. Pensava que teria dificuldades em voltar a advogar no contencioso, pois já não me via defendendo um cliente com unhas e dentes, expondo as suas “verdades únicas” e rechaçando tudo o que viesse da outra parte, armando-me para a guerra diária. Sentia o mesmo como negociadora, pois, nesse ambiente de confronto, algumas vezes questionei a minha competência, por não buscar tirar o máximo de proveito para o meu cliente – saindo, assim, “vencedora” –, mas sim procurar obter da negociação o que fosse justo para ambas as partes.

Tanto na minha vida profissional quanto na pessoal, eu estava constantemente percebendo o outro lado, ponderando com meu interlocutor que o outro também tinha os seus motivos, a sua visão e mesmo os seus direitos. Sem a clareza ou a eloquência de Fernando Pessoa, de certa forma eu notava a “dupla existência da verdade”.

Ao me tornar mediadora, comecei a perceber isso de forma mais clara. O que posso dizer hoje é que tenho imensa satisfação quando consigo ajudar os mediandos a se compreenderem; quando, ao longo do processo de mediação, eles começam a se colocar no lugar um do outro e perceber que o outro pode ter visões, interesses e sentimentos tão legítimos quanto os seus, embora diferentes; que nem sempre existe o certo e o errado, o aceitável e o inaceitável. Ao se darem conta disso, surge a possibilidade de conciliarem esses interesses distintos, pois não partem mais da premissa de que o outro está “errado”, mas veem que para ele a verdade é simplesmente outra. Podem, assim, criar soluções aceitáveis para ambos, mais satisfatórias do que o confronto e o litígio.

By |21st/maio/2016|Mediação|0 Comments

O Papel da Justiça Comunitária na Democratização do Acesso à Justiça

Quando falamos sobre mediação, frequentemente reforçamos a ideia de que acesso à justiça, direito fundamental reconhecido pela Constituição, não é sinônimo de acesso ao Poder Judiciário. Compartilho divulgação feita pelo Instituto de Relações Internacionais da PUC-RJ de palestra com a Dra. Glaucia Foley, Fundadora e Coordenadora do Programa Justiça Comunitária do Distrito Federal, sobre “O papel da Justiça Comunitária na Democratização do Acesso à Justiça“.

By |9th/maio/2016|Mediação|0 Comments

O que a tradução e a mediação têm em comum?

Foi esta a primeira pergunta que eu e os meus designers nos fizemos quando nos reunimos para desenvolver uma identidade visual e este site – e, surpreendentemente, acabamos descobrindo que essas atividades têm de fato muito em comum.

Se pudermos resumir em apenas uma palavra, esta é comunicação: se a tradução é necessária para que falantes de idiomas diferentes se entendam, a mediação procura essencialmente reestabelecer entre as partes a comunicação que em algum momento foi perdida. Muitos conflitos surgem da falta de comunicação, de ruídos na interpretação das atitudes e sinais transmitidos, e, quando essas barreiras são transpostas, muitas vezes o consenso torna-se possível. Um dos resultados mais satisfatórios da mediação é quando as partes voltam a se falar, a se ouvir e a se compreender, ainda que não cheguem a um acordo final.

Na comunicação estão implícitas ideias de movimento, fluidez, conexão, troca, representações e símbolos, expressão verbal e não verbal, intercâmbio de informações. Tudo isso ocorre ao se traduzir um documento, ao se atuar como intérprete e ao se mediar um conflito. Frequentemente mediadores dizem que traduziram para um dos mediandos o que o outro procurava transmitir – fazem isso parafraseando, substituindo palavras por outras equivalentes e, sobretudo, estimulando-os a se comunicarem e a se compreenderem.

Mediadores e tradutores são, assim, elos de ligação entre dois ou mais indivíduos, cuja motivação é ajudá-los a se compreenderem e cuja ferramenta principal é a comunicação.

By |27th/abril/2016|Mediação, Tradução|0 Comments